ERA UMA VEZ EU, VERÔNICA


A cada quadro de Era uma Vez Eu, Verônica, há o sentimento de nostalgia. Apesar da câmera do diretor Marcelo Gomes (Viajo Porque Preciso, Volto porque Te Amo) focar o cotidiano da residente em medicina que batiza o filme (Hermila Guedes), seu emblema contra o presente – a canção “Mira Ira”de Karina Buhr que no refrão entoa “Tá tudo padronizado” – o filme apresenta o constante estado de fuga de uma geração onde raramente se vive, pois a existência os basta.

Latente, o raio-X está em pequenos diálogos com o pai (WJ Solha) onde a mudança dos tempos se apresenta de forma crescente ou com as amigas, transparecendo a fuga do caos diário formado pelos seus pacientes, todos com problemas psicológicos semelhantes – mais um sintoma dos “novos” tempos; na barulhenta Recife, para se sentir em paz, é melhor abraçar a derrota. Aqueles que aparentemente vencem se entregam sem motivo.

O que o filme de Marcelo Gomes apresenta é o espectro de conflitos de um tempo e sua saída, adormecendo o lado dramático com raras inserções onde Hermila Guedes potencializa a ideia do “novo adulto” e a crise que o fim da juventude carrega com obrigações profissionais e emocionais, como ter um novo emprego ou um namorado. Para absorver Verônica é preciso abertura para a identificação e, principalmente, entender que a dança dos dias é muito mais abstrata do que parece.

Era Uma Vez Eu, Verônica (Idem, Brasil/França, 2012) de Marcelo Gomes

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