EM NOME DE DEUS


Em Nome de Deus possui duas vertentes pulsantes em sua composição: as características básicas do cinema de Brillante Mendoza, ou seja, a câmera trêmula, os planos sufocantes e a edição nausante que deram ao diretor o prêmio de melhor diretor em Cannes por Kinatay e por outro lado, padrões pré-estabelecidos movidos pela redoma do que é considerado “gênero”. Afinal, esta é a primeira vez que Mendoza foge de tramas urbanas e focadas no cotidiano para analisar eventos históricos.

Em foco, a questão da postura extremista de muçulmanos e as brechas políticas que permitem tais ações, como o sequestro de turistas, em maioria cristã, que durou cerca de um ano e meio. A mescla que gera Em Nome de Deus oferece cenas memoráveis de rica analogia usando o cenário como um personagem mais importante que sequestradores e sequestrados. Por outro lado, não o livra da mesmice na costura de elementos comuns deste assunto como o terror, pressão psicológica e a impotência, principalmente ao que sustenta a postura de vilania – apenas uma sequência no filme os coloca em xeque como seres que dividem as mesmas necessidades.

A rotina dos cativos, captada por Mendoza com a tradicional ausência do senso de unidade ao que se refere a desenvolvimento narrativo, já que analogias, tiroteios, momentos ermos e discussões políticas e religiosas dividem o roteiro sem organização – ganha opacidade por não “ter” um representante. Todos ganham seu momento de destaque, mas nenhum, incluindo Thérèse Bourgoine, interpretada por Isabelle Huppert, serve de referência para desconstrução de um tempo de extremo sofrimento. Sobra então, mesmo que em nova roupagem, a saturação.

Em Nome de Deus (Captive, França/Filipinas/Alemanha/Reino Unido, 2012) de Brillante Mendoza

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