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Aqui está um filme sem amarras. Ainda que seu eixo esteja na campanha que definiria o futuro do Chile sem Augusto Pinochet no poder, No é corajoso não por buscar retratar os dias que antecederam esta decisão, mas por ser, à priori, um exercício (e afronta) destinado (a) ao público e transcende ao evocar fantasmas da história, ultrapassando fronteiras e questionando motivações para a produção de campanhas políticas.

O filme de Pablo Larraín, vencedor da Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes 2012 e candidato ao Oscar de melhor filme estrangeiro é fiel ao seu tempo: a mudança drástica do fim dos anos 80 para os 90, onde fitas cassete e câmeras VHS teriam a companhia do microondas e do CD como definição de luxo e poderio está lá. Sua estética, próxima às filmagens feitas por câmeras domésticas, muitas vezes com imagens saturadas e enquadramento indefinido – sem qualquer diálogo com a linguagem documental, aqui vale a ideia do artesanal – juntam-se às legendas de tom amarelado do VHS, porém sem resquício de nostalgia.

A política não está para Larraín como catapulta para a discussão de conduta. Seu viés diagonal é complacente ao lado histórico como simples retrospecto, mas usa armas que associam a campanha do “não” à direita. A publicidade como arma política, criando falsas esperanças, como o marketing coloca René Saavedra (Gael Garcia Bernal) próximo à mediocridade de suas artimanhas e manipulações, não tão diferente como a contracampanha a favor do de Pinochet. Rostos felizes vendem mais assim como angariam novos eleitores. O motivo da felicidade, no entanto, é desconhecido.

A partir desta silenciosa pergunta, No se desenvole para Saavedra e não para a campanha; Pouco sorridente e engajado, Larraín esquadrinha seu protagonista pelas reações como o impulso que mantem muitos vivos atualmente – ser uma pessoa para o trabalho e outra para o restante.

No (Idem, Chile/França/EUA, 2012) de Pablo Larraín

Comentários

  1. Ta aí um filme que quero muito assistir. Interessante saber que o filme retrata com qualidade essa época…

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