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 Um Brinde à Amizade (Drinking Buddies, 2013, EUA) de Joe Swanberg
Joe Swanberg é conhecido pela reutilização da métrica baseada em um tabuleiro de damas em seus filmes. Expõe os personagens e parte para as alusões, onde as peças encontram e se desencontram justificados por gêneros, em especial a comédia. Um Brinde à Amizade se define como a espera de uma simples jogada. Ela parece iminente em diversos momentos do filme e assim se desenha como a cartada final. Este é o grande acerto de Swanberg para traçar paralelos entre o desenvolvimento narrativo e ilusão.


Heróis de Ressaca (The World's End, 2013, Reino Unido) de Edgar Wright
Curioso o caminho que Edgar Wright toma para enaltecer a forma abstrata e aguda que a nostalgia traz ao homem à suposta proximidade do fim do mundo. Apresentado como um filme baseado em artifícios - embates performáticos e a intenção de ambientar os personagens em condições "perfeitas" -, Heróis de Ressaca aos poucos chega ao seu extremo tendo o gênero como definição, deixando rastros de humor duvidoso a cada sequência.  

Anna Nicole (Idem, EUA, 2013) de Mary Harron
Feito para TV, o filme de Mary Harron é exatamente o que se espera - superficialidade e narrativa com fluidez, mesmo que isso atropele a história de sua protagonista, talvez pela exigência de uma minutagem enxuta. Harron mostra que sua carreira entrou em declive e dirigir filme sobre os conflitos de uma subcelebridade de forma rasa prova que ela chegou ao seu limite.

Essa é a Minha Vida (How I Live Now, Reino Unido, 2013) de Kevin MacDonald
Definir este filme em poucas linhas é tarefa árdua. O longa de Kevin MacDonald remete a M.Night Shyamalan por sua mensagem incrustada num misto de conto de fadas e aventura juvenil. Se Shyamalan tem como pilar o desprendimento do senso de unidade para "denunciar", MacDonald faz um filme de fantasmas e dá cara a eles e depois os liberta. Ficam os rastros que impregnam a busca pela liberdade, justificada aqui como uma simples pergunta - estamos vivos?


Machete Kills (Idem, EUA, 2013) de Robert Rodriguez
A ambivalência que rege a série Machete justifica o tributo aos filmes exploitation que vira para si para sinalizar o mote central e consequentemente o mercado como pastiche num exercício inventivo sobre o espaço delimitado. Se o primeiro filme, oriundo do trailer de Grindhouse já mostrava fraquezas, o segundo parece um filme excessivamente controlado com propensão ao riso não pela espontaneidade e liberdade do gênero homenageado e sim para reforçar a ideia de escracho.


Conquistas Perigosas (The Necessary Death of Charlie Countryman, EUA, 2013) de Fredrik Bond 
Um filme sobre quedas. Bond parte da morte de entes queridos, sufoca o protagonista em um mundo de impossibilidades e o cerca com a máfia do leste europeu. Esses caminhos são dados em mudanças de tom radicais e mal se sustentam. Portanto, Bond usa a verborragia para  justificar elos melodramáticos entre uma tensão frágil onde a morte, novamente, é iminente.  

As Senhoras de Salem (The Lords of Salem, EUA, 2013) de Rob Zombie
As Senhoras de Salem marca o passo de Rob Zombie além de seu ego; Se os primeiros filmes (A Casa dos 1000 Corpos, Rejeitados pelo Diabo, El Superbeasto) giravam em torno de um mundo extremamente particular - a relação do diretor com os anos 70 e o cinema de terror e exploitation - e a tentativa de atualizar Halloween de John Carpenter, Zombie acerta ao emular nomes como Ken Russel, Stanley Kubrick e Alejandro Jodorowski num exemplar que mescla a tensão com aspecto visual impactante e que desenrola para a livre interpretação de um delírio ou maldição. O resgate do embrião de um gênero. Que venha mais um passo.   

Acorrentado (Chained, Canadá, 2012) de Jennifer Lynch
Um filme que coloca a montagem além de simples técnica. O filme é suspendido pela forma no qual Jennifer Lynch economiza nas passagens de tempo e como dialoga em suas intenções no sentido de sinalizar ações de um psicopata. O filme não intenciona qualquer tipo de contemplação ou até mesmo o estudo da trama, pois ela está estampada a cada frame.

Comentários

  1. Dói dizer que, entre todos os filmes, só assisti "Machete Mata", que desponta como um dos piores do ano ao lado de "Alemão". Muito bom saber da aprovação de "Chained" e "The Lords of Salem", de longe os dois filmes que mais quero assistir. Também tenho curiosidade em ver "Anna Nicole". Ainda acredito que um dia Mary Harron resgatará aquele bom momento com "Psicopata Americano" e tenho curiosidade em saber mais sobre a figura da modelo.

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