TRAPAÇA





É notório o caminho que David O. Russel traçou para sua carreira ao abraçar a cartilha de filmes inclinados à temporada de premiações. Filmes agridoces com temas que revisitam a história americana ou ensaiam certo aprofundamento em dramas pessoais são os mais rentáveis neste espaço de tempo. E que isto não seja visto com maus olhos. O. Russel tem o domínio sobre estas ações, onde o entretenimento justo é o principal foco.


E Trapaça assim se justifica, pois é um filme de relevâncias. O seu entorno é feito de corrupção, mas o filme é destinado aos personagens, inclinado para a verborragia e o iminente tom cômico da situação vivida por Irving Rosenfeld (Christian Bale) e Sandy (Amy Adams), agiotas forçados a ajudar um agente da FBI a desvendar esquemas da máfia de Nova Jersey. 


Política e máfia ganham o mesmo tom numa opção curiosa de O. Russel em deixa-los de lado, servindo apenas de suporte para o filme. Tudo é jogado para as bordas da trama, deixando apenas um embate direto de performances, onde Jennifer Lawrence (Rosalyn) é a que capta melhor o espírito anárquico referente à história e entrega uma personagem em excepcional histeria. Coincidência ou não, é da direção de atores e seus efeitos que os principais prêmios acadêmicos são considerados. 


E se no centro está no elenco, O. Russel os cosmetiza com a estética setentista, usufruindo da ideia de caricatura, colocando seus personagens entre o pastiche e a relevância. E são destes valores, maiores até que o jogo de corrupção ou o peso entre política e máfia para os cidadãos comuns, que Trapaçaé feito. Pois desta forma é possível coloca-lo como entretenimento através de qualquer plano de análise, usando a simplicidade como ideia enaltecedora. Monta-se o circo, os canhões estão apontados para as estrelas e a sugestão de que se esqueça  lona, bancos e o restante do público é feita. Se você a abraça, será distraído e fará a relevância (ou trapaça, se preferir o trocadilho) maior, que é a de ser vítima de um réquiem acerca da expressividade de rostos comparados ao que há ao redor.

Trapaça (American Hustle, EUA, 2013) de David O. Russel

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