HABEMUS PAPAM


Há muito tempo não se via um embate entre solo social e religioso pavimentado com tamanha delicadeza e sapiência como em Habemus Papam. Rico em ironia e articulações existenciais, o filme de Nanni Moretti se passa durante o conclave que elegeu um papa motivado a viver longe das obrigações de um pontífice.

Alegorias como arte e desconstrução (usando Tchekhov como referência) e psicanálise (personalizado pelo próprio Nanni Moretti) estão como suporte para o Papa (o ótimo Michel Piccoli), disposto a desbravar um novo mundo e se adaptar ao tempo ao óbvio conflito que a doutrina católica causa em sua mente. Respeitoso à instituição, Moretti é preciso ao abranger a idéia a motes que manipulam a liberdade de seus seguidores – incluindo a arte.

Longe de um manifesto anti-religioso pedante, Habemus Papam é humano o suficiente para pautar ambos os conceitos e compreendê-los como essenciais à existência, seja como forma de escape ou afastamento natural de nossa auto-suficiência.

★★★★
Habemus Papam (Idem, Itália/França, 2011) de Nanni Moretti

Comentários

  1. Tenho a impressão que Nanni Moretti está se repetindo nos papeis, com o seu "jeitao"

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