AO ABISMO, UM CONTO DE MORTE, UM CONTO DE VIDA


Não é redundância dizer que Ao Abismo, um conto de morte, um conto de vida é um documentário sobre consequências. Seria óbvia a análise sobre o julgamento de dois homens acusados de um triplo homicídio, porém, Werner Herzog ao dizer a Michael Perry, condenado à morte, que não precisa gostar dele, mas que não concorda com a abertura que a lei dá para acabar com a vida de alguém que errou, desenha o caminho de seu filme: humano e dicotômico ao que diz respeito aos direitos humanos.

Da inconseqúência de atos adolescentes e do amor de quem perdeu entes queridos ao ódio daqueles que desejam justiça, Ao Abismo grita por toda sua duração pela revitalização de um sistema – mais educação, empregos e o entendimento da instituição familiar para que vidas não sejam perdidas; dentro de uma cadeia, condenados à morte ou entregues ao vício.

Ainda que o documentário de Herzog flerte com o formato de reportagem – mesmo longe de sensacionalismos, a potência está em como o realizador molda suas perguntas: muitas desconcertantes, outras que revestidas do acaso disfarçam o mal estar da situação e outras que ganham o silêncio como simbolismo para o lamento, independente da situação que o entrevistado esteja, todos ali tem motivo para estar insatisfeito levando a questão maior que é a necessidade da pena de morte em múltiplas abordagens.

★★★★
Ao Abismo, Um conto de Morte, Um conto de Vida (Into the Abyss, A tale of death, A tale of life, Estados Unidos/Reino Unido/Alemanha, 2011) deWerner Herzog

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