ELEFANTE BRANCO


Afirmar a simplicidade do passeio da câmera de Pablo Trapero pelas vielas de uma favela localizada às bordas de uma cidade oculta em Elefante Branco seria injustiça. Ela se distância da confusão literal – tiros, sujeira, a falta de espaço -, porém, busca captar o caos reinante nesta comunidade que espera se mudar em breve para um conjunto habitacional que batiza o filme selecionado para a mostra Un Certain Regard no  Festival de Cannes deste ano.

Trapero é sagaz ao alinhar a ideia de autoridade entre polícia, igreja católica e políticos. Mais ainda quando os posiciona como corruptos e igualmente silenciosos para manter o bom mocismo. Céu e inferno se encontram constantemente e ilustrados quando Trapero acha conveniente – funcional, ainda que sirva como elemento batido em filmes deste novo subgênero datado por Cidade de Deus de Fernando Meirelles. Deus para a igreja católica está no homem, na violência para a polícia e na burocracia para a política. Ambos ganham justificativas para seus erros assim.

Mesmo batido pela mesmice em filmes que abraçam a sujeira como elemento lírico e estético – Miss Bala, Tropa de Elite ou o próprio Cidade de Deus, Elefante Branco serve como catapulta para a análise existencial no engajamento social e suas vertentes obscuras.

Ainda que siga a linha pessimista sobre o futuro da humanidade, o longa nos oferece opções em quem se deve acreditar (ou enganar). Como formas de aliviar o peso do cotidiano, a consciência e a dor da impunidade e da injustiça.

Elefante Branco (Elefante Blanco, Argentina/Espanha, 2012) de Pablo Trapero

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