MOONRISE KINGDOM


Para os familiarizados com a obra de Wes Anderson, degustar Moonrise Kingdom torna-se uma tarefa mais fácil e menos prazerosa. Pois lá está a estética ensolarada e personagens que salientam o cômico pelo porte caricato – onde diversas vezes o silêncio, suportados pela imagem, levam ao riso. Também está a sensação de mesmice que persegue o filme desde os créditos iniciais.

Moonrise Kingdom pauta a tênue linha entre o sonho infantil pela vida adulta e a realidade, quando se dá conta que ser adulto não é tão prazeroso quanto se imagina. Anderson constrói com maestria a idéia de sonho e perfeição ao inserir seus personagens em espécies de maquetes, onde a câmera passeia em belos planos-sequência. O pesadelo é externo, pronto para corrompê-los quando a porta de casa abre. O conflito é superficial por prender-se à tarefa de tornar os personagens em alvos da comicidade.

O rigor estético de Anderson deve conquistar apenas os iniciantes. Prender-se às alegorias é demonstrar segurança demais nos traços autorais e na passividade do público. Desde Os Excêntricos Tenenbaums Anderson aposta em saídas similares – aliar o mundo à aparência em forma de identificação imediata como um enigma - e seu novo projeto marca a saturação de um método. Reinventar-se parece necessário ao diretor. Porém, sempre haverá nossos espectadores prontos para o deleite visual – bem, desta vez, apenas visual.

Moonrise Kingdom (Idem, EUA, 2012) de Wes Anderson

Comentários

  1. Adorei "Moonrise Kingdom". Nunca fui um grande entusiasta dos trabalhos do Wes Anderson, mas, aqui, ele está mais seguro do que nunca - tanto em estilo quanto em enredo. Uma bela surpresa.

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