FESTIVAL DO RIO - PARTE 2

Não deixe de conferir a primeira parte da cobertura.

TERMAS ROMANAS (Therumae Romae, Japão, 2012) de Hideki Takeuchi

O filme funciona como paralelo bem humorado entre os tempos de império e hoje e a idéia de fluxo. Porém, sua metodologia é limitada.  Takeuchi repete as mesmas saídas no roteiro e arrasta o filme em seu ato final. Diverte pela improbabilidade e ousadia, como usar japoneses como integrantes do império e usar a dublagem como eixo, mas a mesmice compromete.
TERRA DA ESPERANÇA (The Land of Hope, Japão, 2012) de Sion Sono

Sion Sono (Culpada por Romance) desta vez escolhe a sobriedade para, de forma poética e aberta ao lúdico, pautar a angústia de um país devastado por tragédias. Abandonar o lar, as fobias criadas a partir do trauma, a dolorosa (sim, dolorosa) opção em continuar, ir em frente. Sono consegue construir um filme delicado com poucos macetes melodramáticos em polos distintos e, mesmo assim, dando a sensação de unidade.  Delicado, surpreendente e cortante.
AUGUSTAS (Idem, Brasil, 2012) de Francisco Cesar Filho

Baseado no livro "A Estratégia de Lilith" de Alex Antunes & Sish, Francisco Cesar Filho usa o curta "Essa Rua Tão Augusta" de Carlos Reichenbach como ponto de partida e referência para seu filme, ou seja, influências do cinema novo - decupagem, montagem - tentam casar ao conceito de aura da rua mais movimentada de São Paulo. Entre prostitutas e rituais, o jornalista Alex almeja de forma torta, a satisfação. Sua realidade decadente o transforma numa espécie de caricatura ao invés de representação dos moradores da rua. No fim, mesmo com a narrativa envolvente, não sabemos ao que veio o longa.
THALE - ELA VEIO DA FLORESTA (Thale, Noruega, 2011) de Aleksander Nordaas

Anticlimático, Thale - Ela Veio da Floresta é minucioso ao explicar causa e mastiga a consequências, algo desfavorável ao espectador acostumado a sustos. É necessário abraçar a atmosfera sugerida por  Aleksander Nordaas nos aspectos líricos e técnicos - algo que aproxima Thale aos filmes de M.Night Shyamalan além do engajamento político unido ao lado fantástico.  Intencionado ao desenvolvimento narrativo lento, o filme falha por usar um método apenas como eixo e logo abraça a mesmice.
BONES BRIGADE - UMA AUTOBIOGRAFIA (Bones Brigade - An Autobiography, EUA, 2012) de Stacy Peralta

Stacy Peralta faz homenagem aos prodígios de seu grupo batizado "Bones Brigade", liderado pelo próprio Peralta e seu sócio George Powell. Rico em imagens de arquivo e bem detalhado, o documentário se sustenta por colocar o tema em nível muito mais alto que seu modelo. É possível ver as fraquezas e inseguranças na história de ascensão dos skatistas e a decadência, que sempre está ao lado daqueles que não conseguem lidar com a fama e a obrigação de vencer competições que aumentaram em ritmo frenético durante os anos 80.

TURISTAS (Sightseers, Reino Unido, 2012) de Ben Wheatley

O êxito de Turistas está na harmonia entre a metáfora do fetiche ao poder no Reino Unido à história do crescente apreço pela maldade de uma mulher super protegida pela mãe. A primeira viagem ao lado de seu namorado é a chance de encontrar um mundo completamente diferente que logo a infecta. O longa de Wheatley é brutal quando deve ser, porém seus métodos são saturados - e previsíveis.


TRISHNA (Idem, Reino Unido, 2011) de Michael Winterbottom

Winterbottom regride ao fazer um institucional do melodrama moderno na adaptação do livro de Thomas Hardy para a atualidade. Trishna é um filme-nada comandado por um diretor preguiçoso que em seu ato final resolve criar alusões à insatisfação feminina perante o machismo na Índia. Não vemos nada mais que o exercício burocrático de um conceito cinematográfico.
YOUNG & WILD: AS AVENTURAS DE UMA NINFOMANÍACA (Joven Y Alocada, Chile, 2012) de Marialy Rivas

Baseado nos contos de um blogue, o longa de Marialy Rivas tenta ao máximo utilizar a linguagem moderna - inserções remetentes a videoclipes e sites - aliando à deliciosa e bem humorada narrativa. Porém, o filme se perde por não possuir identidade; vemos um ataque direto ao comportamento cristão ou estamos diante do conflito de uma jovem cristã disposta a ceder às tentações? A chance de ser os dois existiu por boa parte do filme - quando é ousado imagetica e líricamente, porém, perde-se no meio do caminho.

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