O CONSELHEIRO DO CRIME



Se hoje a carreira de um filme começa muito antes do primeiro start na sala de projeção, o marketing é de primordial importância para o alcance do público. O Conselheiro do Crime se configura como uma farsa já neste primeiro encontro com a plateia, antes mesmo da crítica, do burburinho, etc. O elenco estelar com nomes de cacife altíssimo, dono de prêmios e boa reputação faz o caminho contrário do que lhe é esperado. Se vender como um thriller baseado na obra de Corman McCarthy e constranger a audiência com o que lhe é de mais íntimo é de coragem louvável. 


Ridley Scott controla suas marionetes com frieza estonteante. Fassbender, Pitt, Bardem, Cruz, Diaz. Todos caricatos até onde seus personagens permitem. Sexo, corrupção, fé, crime organizado. Uma nação chamada “América”. É de extrema coragem que um filme verborrágico utilize poucos momentos para se justificar como gênero – satisfazer o pagante – e na maior parte do tempo, como na sequência que abre o filme, coloca-lo contra a parede. Fazer um sorriso amarelo surgir através de um espelho cheio de ironia e enfeites – o suor exagerado, onças, roupas extravagantes. 


O Conselheiro do Crime funciona muito bem até a aposta de Scott em um discurso de paz. A conversa do conselheiro (Fassbender) com “Deus” intenciona o tom de esperança, da funcionalidade infinita do melodrama, o intuito de venda (satisfação). É como dar um tiro no próprio pé depois da postura contrária ao paradeiro do filme. Ou trata-se de mais uma aposta irônica, vai saber. Scott tem consciência do destino de seu filme: àqueles que estudam o lucro, às salas de grandes complexos de cinema e àqueles que usam os filmes como modelador de humor, através de gêneros.

★★★
O Conselheiro do Crime (The Counselor, EUA, 2013) de Ridley Scott

, Ri★★★

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