Indie: LOREN CASS

Ousadia seria a palavra mais adequada para descrever o longa do estreante diretor Chris Fuller chamado Loren Cass. Chris começou a escrever o roteiro com quinze anos de idade, demorou algumas semanas filmando e alguns anos editando o material. Com vinte e quatro anos, viu o longa pronto, lançado pela sua própria produtora. Isso já seria louvável, mas o filme nos mostra um talentoso diretor.
O ano é de 1997, as rebeliões de São Petersburgo terminaram. Os jovens vivem sob a tensão da diferença racial, a constante desconfiança da polícia e nenhuma atividade, absolutamente nada para fazer. Na escola vemos os corredores vazios, um diretor alcóolatra e no banheiro, um menino carregando uma arma. Rapidamente os jovens viram reféns de seus pensamentos.

Tudo é contado de uma forma bastante subjetiva, poética, mas pesada como um soco na cara. A escolha de planos abertos acentua o vazio no coração de cada jovem mostrado no filme no meio da cidade. A cidade suja, o mundo sujo. A fotografia é inspiradora, não só pela escolha de captar as luzes da cidade, o "céu de neon" e takes mais escuros, porém com detalhes muito bonitos, que no fim mostram o objetivo que é mostrar todo o ódio, o rancor e a esperança que some a cada cigarro consumido, acentuados por reais discursos de políticos na época e a sombria narração de Blag Dahlia (vocalista da banda Dwarves). 

Não existe uma gangorra emocional no filme, temos intensidade que só aumenta a cada corte, mesmo que possa soar vazio e lento para quem não se esforçar a interpretar o roteiro que acentua a subjetividade junto com os sentimentos dos personagens, um mergulho profundo nos pensamentos e na agonia das perambulantes vidas naquela cidade.

As vidas de Nicole (que procura um sentimento maior no meio dos homens que passam por sua vida com velocidade impressionante), de Cale (que pretende fugir da cidade o mais rápido possível) e de Jason (a maior vítima do tempo e refém de si próprio e junto com Cale, entram em confusões com jovens negros em cenas brutais de violência) são acompanhadas com delicadeza mas com o peso de um elefante. Ainda acompanhamos dois limites, do jovem "punk" que vive sob efeito de drogas e vaga pelas ruas sem rumo e do Garoto Suicídio, onde Fuller conta da forma mais inteligente os seus últimos dias de vida para fugir da mesmice, encerra com a brutalidade mais clara possível. É preciso um estômago forte. O futuro não existe para todos e não é por acaso que as histórias tem a constante companhia de uma marcha fúnebre. Chris Fuller faz o angustiante retrato de vidas vazias sem ser piegas e cair na mesmice da "juventude perdida".

★★★★
Loren Cass (Idem, EUA, 2007) de Chris Fuller

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