Festival do Rio: BALLAST

Interior dos Estados Unidos, uma vida apática, o sol raramente aparece. As alternativas para passar o tempo são nulas. O índice de suicídios é alto e uma mãe que luta para que seu filho não saia do caminho certo. Lance Hammer escolhe muito bem a estética para retratar esse frio interior americano em Ballast, que estréia neste final de semana nos Estados Unidos, mas está em exibição aqui no...você já sabe.

A trama não tem um protagonista certo, todos tem valor igual aqui. Vaga pelo garoto James, viciado e que foge dos deliquentes de sua vizinhança, por Lawrence, que perdeu seu irmão e falhou ao tentar se matar e pela mãe de James, Marlee. Como eles tentam passar por seus problemas, mas não conseguem enfrentar a hipocrisia criada pelos mesmos e como o fantasma do desânimo que ronda o local que leva todos para o fundo do poço em um raio de pouquíssimos metros e principalmente o remorso deixado nos dias passados.

Fica difícil fugir de um andamento lento, mas existe uma cadência, por vezes parece que o filme vai embalar, mas infelizmente não é o que acontece, mas o poder introspectivo acaba por salvar o longa, aliado a direção poderosa de Hammer. Marlee é o ponto forte da trama, é a que enfrenta o monstro do passado de modo mais claro. De certa forma, o longa se trata sobre corrigir o passado em uma terra que não existe opções para isso. As longas voltas para chegar em algum ponto. A lentidão é o grande problema do filme, mas é corrigido com o trabalho de foto muito bem elaborado, levando o espectador ao frio interior americano e um roteiro que acerta o alvo.

★★
Ballast (Idem, EUA, 2008) de Lance Hammer

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