HU

 
A ótica de HU é muito maior que o estudo do descaso do enorme espaço pertencente ao hospital da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Construído em vinte e oito anos a partir das idéias apoteóticas de Getúlio Vargas, boa parte do local nunca teve funcionalidade total.

Pedro Urano e Joana Traub Csekö espelham metaforicamente o abandono da metade funcional do hospital ao território nacional – carente de educação e saúde para seu desenvolvimento completo. Lembrando o espectador sempre do espaço vazio ao dividir a tela em duas, os diretores aproximam a sujeira, pragas e doenças ao terreno onde supostamente serve à saúde com a intenção de ir ao cerne do problema (a ótica política, é claro).

Poético e em certos momentos didático (mesmo que funcione como uma forma moderna de ironizar o sistema de filmes institucionais), HU foge do convencional sensacionalismo que o assunto abraça naturalmente. Não há espaço para lamentações e denúncias no campo de Urano e Csekö – a sugestão é que ela exista na relação receptiva do espectador. Este é o ponto alto de HU, que se limita ao tom de documento biográfico legítimo e se desprende do emblemático caminho jornalístico que o tema exige.

★★★
HU (Idem, Brasil, 2011) de Pedro Urano e Joana Traub Csekö

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