SOMBRAS DA NOITE



Pelo choque de culturas e a comum estranheza nos filmes de Tim Burton vive a percepção maior de Sombras da Noite. O espectro pop/gótico na composição autoral de fábulas continua intacto e renderá matéria-prima ao imaginário adolescente, foco principal do cinema de Burton. E, ainda que vivencie com a mesmice (ou falta de inspiração) desde Peixe Grande, de 2004, o diretor esboça o resgate de um requinte oriundo dos anos 80: a astúcia.

Diálogos certeiros desencantam o senso rítmico também abandonado em 2004, ainda que em Sombras da Noite os personagens sejam esquecidos aqui e acolá. O foco, como sempre, será Johnny Depp, que desta vez vive Barnabas, homem transformado em vampiro que encontra o mundo totalmente transformado após 200 anos de cativeiro. Longe dos cacoetes adquiridos com caricaturas ambulantes como Jack Sparrow ou O Chapeleiro Maluco, Depp conta com um núcleo inspirado, mesmo com a dispensa inconsciente de Burton.

Com humor remetente ao clássico de 1988 Beetlejuice por mérito do próprio diretor em ousar em suas mediações com o absurdo principalmente na relação de Barnabas com seu (novo) tempo, Sombras da Noite surpreende positivamente.  Não vemos uma reconciliação completa de Burton com sua boa forma – ainda que pela repetição estética ele amplifique a ótica e cobrança de seu desenvolvimento narrativo assumidamente Griffithiano -, porém, vemos um sopro com o diálogo focado ao terno unido ao tradicional universo freak.

 ★★★
Sombras da Noite (Dark Shadows, EUA, 2012) de Tim Burton

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