KAREN


Um filme cru. Pela percepção, poderíamos adotar este adjetivo para uma obra sem envernizamento ou cuidado estético, mas Karen não parte deste princípio. A idéia do diretor Gabriel Rojas Vera é de ir ao âmago de sua história e continuar nela até o fim, ou seja, manter seu filme no ápice por toda duração.

Acompanhamos o suposto declínio na vida de Karen após o fim de um relacionamento. Fadada à dolorosa reflexão sobre um futuro incerto, temos a apresentação de personagens sem a cartilha tradicional – teremos informações sobre os personagens até o último ato. Do inferno ao céu (e vice-versa), Rojas é feliz em suas representações mesmo dispensando a poesia em seu desenvolvimento narrativo. Sua intenção é bem clara: desmistificar e entronizar uma geração, a última domada por valores machistas.

Dinâmico, o filme raramente cria barrigas; com apoio de um ótimo elenco e justificativas que amplificam o lado humano e o distanciam de gêneros, Karen Chora no Ônibus tem funcionalidade literária. Escapismo e  a noção de ciclo completo, para, enfim, dar a opção de reflexão ao público.

★★★
Karen (Karen Llora en un Bus, Colômbia, 2011) de Gabriel Rojas Vera

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