Indie: AO PÉ DA ÁRVORE


 Antes da sessão começar, o diretor Ricky Shane Reid esteve presente e disse que Ao Pé da Árvore era sua primeira aventura no cinema. Nunca havia feito um curta ou vídeo antes e que com a ajuda da tecnologia e de sua família – o elenco é composto pelo irmão e pela esposa de Shane -, pôde apostar de primeira em um longa-metragem.

Shane Reid mostra ter boa vontade e bom gosto para ter uma carreira bem sucedida, mas seu primeiro filme ainda transparece sua inexperiência de maneira exacerbada. Ao Pé da Árvore parece uma versão alternativa de Paranoid Park, de Gus Van Sant. É certo que Van Sant é um diretor experiente para ser objetivo, subjetivo, delicado e ousado em um só filme. Shane Reide tenta o mesmo. Pontua em seqüências subjetivas o emocional de Alfie, um garoto que vive o remorso e o peso de um crime cometido por vingança.

Para construir a narrativa, Shane repete seqüências com pequenos adendos a cada nova inserção delas na tela, para aumentar sorrateiramente o suspense, mas o que é exaltado nessa estrutura é a preguiçosa e cansativa montagem. A inexperiência técnica e algumas infelizes apostas podem passar em branco, mas quando interfere no ritmo do filme é difícil manter a imunidade da platéia.

Alfie não é estudado a fundo. Não há um sentimento claustrofóbico ou até mesmo de empatia pelo personagem, pois a já citada montagem destrói essa chance. Ela não é linear para não parecer óbvia, mas neste caso a estrutura mais simples parece a melhor saída para Shane situar seus personagens e também a trama de uma maneira mais interessante.


Ao Pé da Árvore (At the Foot of a Tree, Inglaterra, 2008) de Ricky Shane Reid

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