Indie: ESCÓRIA


Holanda, um país conhecido por se opor a idéias reacionárias, prezando pela liberdade de expressão e de escolha e um crescimento democrático; Ótimo seria se os jovens não procurassem o que é ilícito para viver no limite, mesmo em um país como este. O diretor Heinrich Dahms constrói de forma diferente dois pólos extremos, vividos por jovens holandeses em Escória.

No núcleo “junkie”, tecnicamente o diretor acerta em planos seqüência com câmera na mão, fotografia densa e algumas tentativas de se aproximar à Doug Liman em Vamos Nessa. Os personagens são, no fim das contas, retrógrados, colocam a culpa de suas vidas vazias nos turcos ou nos marroquinos, gastam o tempo com drogas e confusões. Já Hassan, um garoto descendente de marroquinos, é o guia do outro pólo do filme de Dahms. Hassan foi aceito em uma faculdade, mas vive o dilema de seguir um novo rumo ou manter a tradição da família. Neste núcleo, Dahms prefere a sobriedade em todos os aspectos técnicos.
O que acontece em Escória é uma interminável extensão do primeiro ato, com uma proposta completamente rasa, trocando o debate pautado na xenofobia pelo gratuito uso de drogas ou brigas. Se por um lado este vazio pode ser retratado com tamanha veracidade, a chance de criar uma história envolvente é deixada de lado.

Os caminhos inevitavelmente se cruzariam, algo que é ensaiado desde o início do filme, mas nada poderia ser tão banal como Heinrich constrói este encontro, ainda apostando numa fórmula saturada nos primeiros minutos de filme. Apesar de tudo,  Escória tem um bom potencial técnico, mas a urgência por um texto mais profundo pulsa por todo o filme.

 
Escória (Schoft, Holanda, 2009) Direção: Heinrich Dahms

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